NA TRILHA DA MISSÃO

Seguir Jesus não é moleza! Muitas são as peripécias e artimanhas que se apresentam para desanimar o/a discípulo/a, porém é na força da última expressão do mestre, “não tenham medo, eu estarei convoco até ao final dos tempos”(Mt 28,20), que se ganha força para continuar rumando ao horizonte, na direção da multidão de irmãos e irmãs, que embora trazendo em si a semente do Reino, necessitam ouvir a mensagem divina para que ela  possa germinar (Dei Verbum).

Ide pelo mundo e fazei discípulo/o (Mc 16,15) não é uma proposta, é um mandato para aqueles que acreditam verdadeiramente na Palavra e na Presença do Cristo. Ser missionário não é uma escolha para o batizado é uma obrigação inerente à sua opção em ser filho/a de Deus. Não há salvação para os batizados, que se acomodaram com a simples água do batismo. Não há sacramento sem ação para aqueles que o Senhor concede a graça e a saúde. Não é suficiente doar coisas para a igreja, devolver o dízimo. É preciso doar a própria vida. Devolver de graça o que de graça se recebeu. Não se salva quem por medo ou por tradição comunga semanalmente, mas a salvação é consequência da comunhão da dor e do sofrimento do irmão. Não se salva quem só ouve o chamado e se fecha numa atitude paranoica de intimidade. A salvação vem das bem-aventuranças… (Mt 5, 3-10) vem do eu estava nu, com fome, doente e você se interessou por mim (Mt 25, 31-46).

A palavra discípulo/a significa seguidor/a. caminhar na trilha de. O/a discípulo/a que não se faz missionário/a é igual a Judas, ao jovem rico, a Herodes e toda a corja dos fariseus, que  ouviam o Mestre, achavam bonitas suas palavras, mas não anunciavam porque não acreditavam. Não basta se Padre, Irmão, Irmã, Bispo, Papa, Ministro/a, Liderança para ganhar a vida eterna. Não é suficiente viver santamente os 10 mandamentos. Para ser seguidor/a do Mestre é preciso muito mais. É preciso ser radical: vender tudo o que tem, dar aos pobres e só depois segui-lo ( Lc 18, 18-30). A trilha da missão não suporta fanfarrão/ã, discursos bonitos, estar presente em tudo que dá visibilidade. Na trilha da missão, caminha quem não tem medo de pisar o chão dos pobres. Não se assusta com o grito dos miseráveis, e não foge das mãos calejadas  que se estendem.

A trilha da verdadeira missão não conduz para o altar e nem para o púlpito, mas para a cruz. Primeiro é preciso acreditar na cruz, para depois assumir a eucaristia. Não há corpo glorioso de amor sem o corpo lanhado pelo chicote da dor. Pão sem missão é danação. Missão sem cruz é ilusão. Cruz sem Cristo é perversão.

O/a cristão/ã de verdade além de calos no joelho, gasta também o solado do calçado. Não lhe dói somente as mãos de tanto rezar o rosário, mas lhe dói principalmente as pernas, pelas distâncias percorridas em busca do rosto de Cristo no rosto de tantos/as outros/as irmãos/ãs.

O/a batizado/a, que é missionário/a não conta comunhões e nem ave-marias, mas conta os rostos da Marias, dos Josés, dos Pedros e de todos/as Cristos a quem levou outro jeito de amar, de viver e de sentir.

 PARA REFLETIR

1)   Como estou respondendo ao chamado de ser discípulo/discípula de Jesus?